sábado, 21 de novembro de 2009

Lição 08 - O Pecado de Davi e suas Consequências

Subsídio escrito pela EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD

Texto Bíblico: 2 Samuel 11.2,4,5,14-17

O Tempo de os Reis Saírem à Guerra

Havia uma época específica em que os reis saíam à guerra? Mesmo que muito ligeiramente, é importante que tal ponto seja abordado, pois ele contém elementos que preenchem lacunas referentes ao contexto daquele período e fornece pistas para entender o que de fato ocorreu naquela tarde fatídica. Pelo que se infere, por razões extremamente locais e relacionadas ao clima, as guerras tinham datas para acontecer: “O profeta aproximou-se do rei de Israel e lhe disse: ‘Vai adiante corajosamente, mas pensa no que deves fazer, pois no ano que vem o rei de Arâm subirá para atacar-te’” (1 Rs 20.22 – TEB[i]). Assim, o texto bíblico é claro e óbvio a este respeito: “E aconteceu que, tendo decorrido um ano [após a última guerra], no tempo em que os reis saem para a guerra, enviou Davi a Joabe, e a seus servos com ele, e a todo o Israel, para que destruíssem os filhos de Amom e cercassem Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém” (2 Sm 11.1), ou seja, é algo perfeitamente comum para quem lesse a narrativa à época. O que deve causar estranheza é exatamente o fato de Davi — um homem de guerra —, não ter ido ao combate, já que esse expediente era praxe e algo quase que protocolar para os reis. Autoconfiança? Cansaço? Desinteresse? O que fez com que o “homem segundo o coração de Deus” resolvesse ficar no palácio real? Evidentemente que, como já foi dito, não é o propósito de a narrativa enfatizar o pecado de Davi e sim o desenrolar do plano de Deus que culminará na Aliança Davídica,[ii] mas para o tema do capítulo, faz-se necessário discutir o assunto nesta ótica:

[...] É óbvio que a Bíblia não entra em detalhes para descrever como foi o processo que culminou no desastroso ato, restringindo-se apenas a registrar a sua concepção, com o ócio do rei no terraço do palácio, e as conseqüências de tamanho lapso moral para um homem segundo o coração de Deus. Como somos apressados na análise da passagem e de seu contexto, a nossa tendência, geralmente, é achar que tenha sido um deslize fugaz, alimentado pela involuntária visão da mulher desnuda banhando-se à vista da casa real. “Foi fruto de um momento psicológico”, afirmou alguém certa vez. Mas uma leitura acurada do texto bíblico leva-nos a concluir que se tratou de algo muito além de um simples e despretensioso olhar.[iii]

Tal conclusão não é fruto da criatividade do autor, mas o resultado de pesquisas acerca do contexto em que os fatos se desenrolaram, sendo, como disse na abertura do capítulo 4, um exercício imprescindível para todos que querem, de fato, ensinar a Palavra de Deus com seriedade e compromisso (Rm 12.7b; 2 Tm 2.15).

A Decadência de Davi

As mulheres dos súditos pertenciam aos reis? Se havia tal costume, é preciso lembrar que, enquanto para os outros povos o rei era um deus, para Israel a política era totalmente distinta e antagônica, pois o próprio Yhwh ditava as regras de como o líder da nação deveria se comportar (Dt 17.16-20). Nas prescrições incluía-se — como não poderia deixar de ser —, vetos em relação ao sexo oposto. Ademais, o rei de Israel deveria cumprir as ordens de Deus que, na realidade, era o real Soberano daquele povo (At 13.22). Assim, seguindo essa hipótese, só temos duas opções: ou houve consentimento de Bate-Seba e, nesse caso, muito provavelmente eles já flertavam, ou então o pecado de Davi foi ainda pior e também se configura como estupro. Geremias do Couto sustenta a primeira tese:

Como percebeu Grant R. Jeffrey, a primeira coisa que salta aos olhos é o grau de proximidade entre a família de Bate-Seba e a corte palaciana. Tanto Eliã, o pai daquela mulher formosa à vista, quanto Urias, o marido traído, pertenciam à nata da elite militar de Israel, composta de trinta e sete oficiais que, certamente, cuidavam da segurança do monarca. Como tais, viviam o dia-a-dia palaciano. Deduz-se, a partir disso, que Bate-Seba não era uma ilustre desconhecida, mas com certeza freqüentava a casa real, principalmente em ocasiões solenes e festivas, conhecendo a intimidade da corte. Não é nenhum exagero de interpretação admitir que o rei já a vira outras vezes e, quem sabe, aí tenha nascido a lascívia em seu coração.[iv]

À luz dessa perspectiva, fica mais claro o porquê de o casal adúltero ter tanta “facilidade” de consumar um ato em plena claridade do dia, dentro do palácio real, tendo Davi outras mulheres e filhos já grandes. Era muita tranquilidade para tamanho erro. O que será que levou Davi a quase perder a salvação, o reino e a família, em troca de alguns momentos de prazer carnal? Essas sim são questões que devem nos fazer pensar e refletir, pois muitas vezes caminhamos em direção a um abismo e perdemos totalmente a noção do perigo que nos cerca. A proximidade com o sexo oposto, seja no caso de líderes ou não, deve sempre ser marcada pela discrição, respeito e temor a Deus, pois, caso contrário, o desastre é certo. Geremias do Couto fundamenta ainda mais a sua posição defendida ao dissertar da seguinte forma:

Outro ponto que importa, ao tecermos a cronologia do pecado de Davi, era o fato de Bate-Seba residir nas cercanias do palácio a ponto de ele, do terraço, ter condições de invadir visualmente a privacidade da mulher. É possível pressupor, sem forçar a narrativa bíblica, que eram residências oficiais destinadas àqueles que desfrutam da intimidade do poder. Mas, por último, como aconteceu comigo, você se surpreenderá ao descobrir que Bate-Seba era neta de Aitofel, principal conselheiro do rei, uma espécie de chefe da casa civil do governo.[v] Que ela tinha acesso às antecâmaras reais, não resta nenhuma dúvida. Assim, o raciocínio fica completo quando você acrescenta a última peça do quebra-cabeças: contrariando o costume de o rei acompanhar o exército nas operações de guerra, Davi preferiu permanecer no palácio, enquanto os seus soldados combatiam os amonitas. Para quê? Deduza você mesmo.[vi]

É possível que, se o raciocínio acima estiver correto, o narrador não tenha nem se dado conta de que o banho da mulher e o fato de Davi não ir à guerra na verdade não são meros acidentes, mas uma trama para consumarem aquilo que eles já acalentavam. Assim, Geremias do Couto conclui sua argumentação:

Em outras palavras, tudo leva a crer que o adultério do rei foi algo laboriosamente premeditado nos escaninhos da mente. Levou tempo para ser consumado. Tudo indica que o ócio no terraço e o banho simultâneo da mulher foram alguns dos ardis do plano, racionalizados para que o desfecho parecesse algo repentino e involuntário, do qual Davi pudesse afirmar não ter tido culpa alguma. Isto se torna ainda mais claro pelas medidas que tomou ao saber que Bate-Seba ficara grávida. Na maior cara-de-pau, tentou tapar o sol com a peneira, chegando ao cúmulo de ser “generoso” com Urias, oferecendo-lhe a oportunidade de afastar-se do calor da guerra e passar uma noite em casa com a esposa, na tentativa de prover “outra” paternidade para o bebê. Por fim, como a iniciativa não funcionou, teve o desplante de dissimular o homicídio de Urias para não passar à história como covarde. Só que a última palavra sempre pertence a Deus, que, na hora certa, desmascarou a atitude pérfida de Davi.[vii]

É difícil confrontar tal posição, pois não são conjeturas. Incluso ainda nesse mesmo problema, está a verdade de que, do ponto de vista da Torá, nem sendo marido Davi poderia ter relações com Bate-Seba, pois o texto diz claramente que ela estava se purificando (2 Sm 11.2-4).[viii] Isso significa que, se Bate-Seba havia acabado de fechar o ciclo menstrual, por um preceito da Lei estava impedida até mesmo de entrar no palácio e de tocar em qualquer coisa (Lv 15.19-30). Mas o que causa perplexidade em toda a questão é exatamente o fato de Deus ter ordenado que o rei de Israel deveria transcrever num livro a Lei e estudá-la para que não viesse a cair em pecado ou infringir os mandamentos do Senhor (Dt 17.18-20). Isso mostra explicitamente que Davi era profundo conhecedor da Palavra de Deus, algo de que ninguém duvida, pois os seus próprios numerosos e belos Salmos sugerem isso.[ix]

As Consequências do Pecado de Davi

A lista daqueles que foram afetados diretamente pelo pecado de Davi é extensa: ele pecou contra Bate-Seba; Eliã; Urias; as suas sete esposas (Mical, Ainoã, Abigail, Maaca, Hagite, Abital e Eglá); seus filhos (Amnon, o mais velho; Quileabe, ou Daniel; Absalão; Adonias; Sefatias; Itreão; e Tamar — todos esses nasceram em Hebrom, mais ainda há outros que nasceram em Jerusalém — 1 Cr 3.1-9); as suas dez concubinas (com quem ele, inclusive teve filhos — 1 Cr 3.9); o profeta Natã; contra o seu próprio povo que o admirava (inclusive mulheres — 1 Sm 18.6,7); os 600 homens que se juntaram a ele quando da “peregrinação involuntária” no tempo de Saul — 2 Sm 22.2; 23.13; além de vários outros grupos (1 Cr 12.1-22; 1 Cr 12.38; 1 Cr 11.15-19); as nações (1 Cr 14.17 — neste caso particular, a repercussão foi tão negativa que o narrador registrou: “Mas, posto que com isto deste motivo a que blasfemassem os inimigos do Senhor” — 2 Sm 12.14, ARA); a Lei;[x] e o pior de todos ― Deus ―, algo que ele mesmo admitiu: “Pequei contra o Senhor” (2 Sm 12.13).

Diferentemente do que alguém pode presumir, a confissão não ocorreu tão rapidamente assim. Deu tempo de ele saber que a mulher estava grávida, o que, provavelmente ela só pôde perceber, no mínimo, um mês depois (possivelmente por não ter ocorrido o próximo ciclo menstrual). Nesse momento, as coisas começam a se complicar ainda mais, pois Davi agora precisa “esconder” o mal feito. Assim, como todos conhecem a história, primeiramente há uma tentativa de fazer com que pareça que o filho é de Urias (2 Sm 11.6-13), tentativa frustrada, vem então o “plano B”, e aí o que já estava terrível fica sombrio, macabro e extremamente calculista: assassinar o soldado e ficar com a mulher (2 Sm 11.14-25). Assim, acreditando que o caso estava resolvido Davi, aguarda o período de luto de Bate-Seba e depois a recolhe como mulher, entretanto, o texto bíblico registra categoricamente: “Porém essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do Senhor” (2 Sm 11.27b). Flávio Josefo comenta que

Deus olhou com cólera para esse ato de Davi e ordenou a Natã, num sonho, que o repreendesse severamente de sua parte. Como o profeta era muito sensato e sabia que os reis, na violência de suas paixões, consideram pouco a justiça, julgou que, para melhor conhecer as disposições do soberano, devia começar por falar-lhe docemente antes de chegar às ameaças que Deus havia ordenado.[xi]

Uma das questões que fica pendente é: Por que Davi não sofreu as sanções da Lei? É possível que a “pena” para Davi tenha sido alternativa, pois Natã, após tomar as precauções colocadas por Josefo, preveniu-o acerca dos infortúnios que se seguiriam: “[...] não se apartará a espada jamais da tua casa”; “[...] tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol” e, finalmente “[...] o filho que te nasceu certamente morrerá” (2 Sm 12.10,11,14). Essa última sentença indica que a criança já havia nascido. Isso significa que, no mínimo, o pecado ficou “encoberto” por nove meses. Não considerando, claro, as hipóteses de que a criança possa ter nascido prematuramente, o que faria com que o tempo fosse menor, mas também dá margem à possibilidade de que a criança pudesse ter dez, onze meses, um ano ou até mais, não sabemos. Infelizmente, tal fato divide a vida de Davi em duas fases, assim como a unção também o fez. É provável que por cerca de vinte a vinte e cinco anos Davi tenha as sanções mais terríveis que se possa imaginar: filha violentada pelo meio-irmão; assassinato de meio-irmão para vingar a violência sexual de Tamar; usurpação do trono real por duas vezes e por dois filhos diferentes; filho que abusa das concubinas do pai enquanto este se evadiu (2 Sm 13―18; 1 Rs 1).

Conclusão

Todas as vezes que alguém quer justificar determinadas práticas improcedentes e ainda assim permanecer liderando ou aspirando liderança, apela-se para o exemplo de Davi. Entretanto, é preciso lembrar que os poucos momentos de prazer que o “homem segundo o coração de Deus” teve diluiram-se em muitos anos de dor, sofrimento e estigma. Mais do que isso, é imprescindível entender que Davi (mesmo tendo sido perdoado e, com certeza, um dos grandes homens de Deus) não se constitui em um referencial para os cristãos, antes, o referencial dos crentes é o Senhor Jesus Cristo (Ef 4.13). E é bom entender que Paulo se refere a Jesus quando Ele andou aqui na Terra, ou seja, plenamente humano, pois este é o propósito de Deus: que sejamos reposicionados originalmente ao estado em que Ele criou a humanidade ― algo que só é possível por intermédio de Jesus Cristo e seu Divino Espírito Santo (1 Co 3.18).



[i] A nota desse versículo diz o seguinte: “Lit. Ao voltar o ano, i. é, ao voltar a primavera, que é o momento mais favorável para uma expedição militar. Cf. 2Sm 11.1”. Tradução Ecumênica da Bíblia. 3.ed. São Paulo: Loyola, 1994, p. 536.

[ii] Uma das maiores provas disso é o pequeno livro de Rute. Seu propósito não é outro a não ser revelar a genealogia daquele que seria o maior rei de Israel.

[iii] COUTO, Geremias do. A transparência da vida cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 103.

[iv] Ibid., p. 103.

[v] JEFFREY, Grant R. A assinatura de Deus. Bompastor, p. 259-261. Nota do autor: Ibid., p. 115.

[vi] Ibid., p. 103, 104.

[vii] Ibid., p. 104.

[viii] O texto sugere, porém, que já haviam passado os sete dias necessários.

[ix] Atribui-se a Davi a autoria de cerca de 73 Salmos.

[x] “Embora tenha escrito que a ‘lei do Senhor é perfeita e revigora a alma’ (Sl 19.7) e que ela estava ‘no fundo do seu coração’ (Sl 40.8), Davi quebrou 40% do Décalogo de uma vez só. Em ordem cronológica, ele quebrou o décimo mandamento (‘Não cobiçarás a mulher do teu próximo’), o sétimo (‘Não adulterarás’), o nono (‘Não dirás falso testemunho contra o teu próximo’) e o sexto (‘Não matarás’). É por isso que ele usa duas vezes a palavra ‘transgressões’ no Salmo 32. Ele quebrou o nono mandamento no demorado esforço de manter as aparências e fazer tudo em segredo, às escondidas (2 Sm 12.12)”, Ultimato. Matéria: Contra quem Davi pecou. Ano XXXIX, número 303, Viçosa: Ultimato, novembro e dezembro de 2006, p. 28.

[xi] JOSEFO, Flávio. História dos hebreus. De Abraão à queda de Jerusalém. 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 344.

CARVALHO, César Moisés.
et al. Davi. As vitórias e as derrotas de um homem de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp.150-58.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Discernindo o bom entretenimento

Por que muitos evangélicos são fascinados por teorias da conspiração ou pelas ditas "mensagens subliminares"? Esse fascínio por descobrir o satanismo no entretenimento leva alguns evangélicos para afirmações absurdas e incoerentes.A visão maniqueísta, como se tudo que não fosse relacionado à igreja estaria sobre o domínio dos demônios, não é biblicamente sustentável. Os evangélicos devem tomar cuidado para não desprezar o entretenimento sem um discernimento saudável e baseado nos princípios da Palavra de Deus. Quem é cristão não repele e nem abomina o entretenimento sem uma avaliação criteriosa dos princípios ensinados em filmes, desenhos, livros, novelas etc., confrontando esses conceitos com as verdades da Santas Escrituras.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Contas da Universal movimentaram R$ 1,4 bi

LEIA MATÉRIA DO JORNAL “FOLHA DE S. PAULO”

Transações financeiras sob investigação foram geridas por empresas fora do país relacionadas a cinco doleiros brasileiros

Promotores determinaram devassa nas offshores para tentar encontrar a quantia exata ligada ao fundador da igreja, bispo Edir Macedo

RUBENS VALENTE
MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL


O pedido de cooperação internacional feito pelo Ministério Público de São Paulo ao governo dos EUA para investigar as contas relacionadas ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, tem como alvo a movimentação financeira de seis empresas "offshores" ligadas a cinco doleiros brasileiros. Elas movimentaram, somente nos EUA, pelo menos US$ 862 milhões, ou R$ 1,47 bilhão, ao câmbio de ontem.

O valor foi obtido pela Folha a partir dos arquivos da CPI do Banestado e de decisão tomada em 2005 pelo juiz federal do Paraná Sergio Moro, que acolheu denúncia contra operadores da casa de câmbio Diskline.

A agência, que tinha sede em São Paulo e filial carioca mas hoje está desativada, é investigada por suposto envio, fora do canal do Banco Central, de US$ 1,8 milhão para uma conta da Universal nos EUA, como a Folha revelou em setembro.

A devassa pedida pelos promotores atinge toda a movimentação das seis "offshores" (sediadas em paraísos fiscais), mas nem todo o dinheiro está relacionado à Universal. Há indícios de que se tratavam de "contas-ônibus", que abrigam recursos de diferentes empresas e pessoas brasileiras.

O pedido dos promotores foi encaminhado há duas semanas ao Departamento de Justiça americano pelo DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), órgão do Ministério da Justiça. O departamento americano repassou o pedido para a Promotoria de Nova York, que analisa o caso.

O objetivo da cooperação é obter documentos que possam ser usados na ação penal que tramita desde agosto em São Paulo contra Edir Macedo e nove pessoas da igreja por supostas lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Além disso, os promotores fizeram um relatório aos seus colegas americanos Adam Kaufmman e Jon Lenzner pelo qual avisam que "fatos narrados" no Brasil "revelam crimes e irregularidades ocorridos nos Estados Unidos".

Os promotores pediram bloqueio e apreensão de documentos relativos a 15 contas das "offshores" Milano Finance, Florida Financial Group, Pelican Holdings, Ourinvest, Dartley Holdings e a subconta chamada "Titia", na empresa Beacon Hill, fechada em 2003 pela Promotoria de Nova York por transmissão ilegal de fundos. Elas movimentaram -soma de entradas e saídas de dinheiro-, entre meados da década de 90 e 2003, respectivamente US$ 759 milhões, US$ 56 milhões, US$ 36 milhões, US$ 4,1 milhões, US$ 2,2 milhões e US$ 5 milhões.

De acordo com a investigação, essas contas se relacionavam a empresas ligadas à igreja, como a Cableinvest e a Investholding, sediadas em paraísos fiscais. A igreja trazia o dinheiro de volta ao Brasil por meio de empréstimos de fachada concedidos por essas duas empresas a membros da igreja.

Para promotores, o dinheiro foi usado para comprar veículos como a TV Record, negócio avaliado em US$ 22 milhões.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hallelujah - G.F. Handel "Messiah" - Bethany College Choir

sábado, 14 de novembro de 2009

Recordes do mundo gospel

Ninguém consegue ser mais investigado do que Edir Macedo e sua turma. Agora, promotores de New York estão atrás de denúncias de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. Edir Macedo deve ganhar de Paulo Maluf e Celso Pitta, aqueles ex-prefeitos que gostam de uma conta no exterior.


Ninguém consegue fazer mais milagres que o “apóstolo” Valdomiro Santiago. É tanto milagre, que certamente já passou o recorde do santo Expedito, aquela santidade que os historiadores contestam a existência.


Ninguém consegue curar mais caroços do que o R. R. Soares. Todo dia são pelo menos uns vinte. Ou não? O missionário acaba de compra um avião particular King Air 350, por cinco milhões de dólares, segundo a revista Veja. Certamente um “médico” bem sucedido.


Ninguém consegue trazer “os mais extraordinários pregadores da América” como o Silas Malafaia. Todo ano ele apresenta um novo nome “sensacional”. Quem será o próximo? Tomara que não seja o Benny Hinn ou Joel Osteen.


Ninguém consegue colocar mais dinheiro em conta por um milagre (milagre?) do que o Paulo Roberto. Aquele pregador que ameaça os que se metem a criticar suas invencionices. Aliás, ninguém consegue ser mais ameaçador do que ele (belo exemplo de amor cristão).


Ninguém consegue ser mais legalista do que o David Miranda. Talvez nem o Taleban seja tão rígido assim. É, nada como uma santidade (santidade?) baseada em alicerces de areia.


Ninguém consegue superar as vendas do livro “A Cabana”. Uma autoajuda confusa em sua apresentação de Deus, e recomendado por pastores da mente confusa. Em breve contestarão a doutrina da Trindade ou a divindade de Cristo.


E assim continuamos vendo os maiores recordes do mundo gospel.

Lição 07 - A expansão do Reino Davídico

Subsídio escrito pela Equipe de Educação da CPAD

Texto Bíblico: 2 Samuel 5.6-10

A Primeira ação de Davi como rei foi um golpe de engenhosidade política. Nem Maanaim, onde Isbosete havia reinado, nem Hebrom, que havia sido capital de Judá, eram adequadas para ser a capital da nação. A primeira ficava na Transjordânia, fora da própria terra da Palestina; a segunda estava longe, ao Sul, identificada muito mais com a tribo de Judá. Assim Davi e seus homens vieram a Jerusalém, uma antiga cidade jesubita, situada no sul de Benjamim, mas não distante da fronteira norte de Judá. Ela fica em um planalto da região montanhosa, aproximadamente 32 quilômetros a oeste da extremidade norte do mar Morto. O terreno é fortificado pela própria natureza de tal maneira que, em tempos antigos, foi capaz de resistir a longos cercos. Embora situada no coração da Palestina, a cidade então chamada de Jebus – jamais fora conquistada pelos Israelitas, e era ocupada por uma Tribo cananita conhecida como “jebuseus”.

A guarnição de defesa de Jerusalém era tão confiante, e sentia-se tão segura, que seus líderes insultaram a Davi com palavras que deveríamos provavelmente traduzir como: “Não podes entrar aqui, porque até mesmo os cegos e os coxos podem repelir os teus ataques”. Sua exultação duraria pouco, pois os homens de Davi logo anularam as defesas e entraram na fortaleza. A referência ao canal, mais propriamente, ao túnel de água, não está inteiramente clara, mas pode fazer referência a um duto não vigiado através do qual os soldados de Davi foram capazes de rastejar, e passaram dessa forma pelas meticulosas defesas. Tem sido sugerido que o sistema de água descobertos pelos arqueólogos do Fundo de Exploração da Palestina, pouco depois de 1922, pode ser identificado a entrada. Este sistema consistia de um poço ligado a um túnel vertical que levava a uma fonte do lado de fora dos muros. O texto em 1 Crônicas 11.4-7 identifica Joabe como capitão que conduziu ousada expedição. O insulto dos jebuseus fez sugerir o provérbio: Nem cego nem coxo entrarão na casa.

Um nome familiar por todo o restante do Antigo Testamento é encontrado pela primeira vez aqui. Sião (v.7) era o monte sobre qual a fortificação dos jebuseus estava situada, e, posteriormente, se tornou o local para onde Davi levou a Arca da Aliança. O nome foi mais tarde estendido para incluir toda a área do Templo, e o monte Sião tornou-se um deleite e a alegria do povo de Deus ao longo dos séculos. Esta se tornou conhecida como a Cidade de Davi.

Depois, Davi parte em rota de colisão contra os poderosos filisteus no vale de Refraim e, a seguir, dirige-se contra Gate (1 Cr 18.1), culminando na completa desorganização filisteia (2 Sm 5.17-25). Enquanto enfrentava as ameaças fronteiriças, Davi fortificava-se diplomaticamente com outras nações. Estabelece alianças com Hirão, rei de Tiro (2 Sm 5.11; 1 Cr 14), e Tói, rei de Hamate (2 Sm 8.10). Contudo ao tentar fazer aliança com os amonitas, estes, desdenham o acordo, e contratam mercenários siros para pelejarem contra Israel. Essa malfadada atitude dos amonitas culminou em sua completa derrota (2 Sm 8.10).


Texto extraído dos livros:

GONÇALVES, José. et. al. Davi, As vitórias e as Derrotas de um Homem de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
MULDER, Chester O. et. al.
Comentário Bíblico Beacon, v 2. Rio de Janeiro: CPAD 2008.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Lulismo, Marina Silva e o messianismo evangélico

A visibilidade mundial do grande país emergente sul-americano trouxe para o arraial político fenômenos desagradáveis, de fortes tendências na centralização de um líder. Nesse contexto, o lulismo tem crescido nos últimos anos. O lulismo nasceu com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Trata-se de um movimento político, denominado pelo sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, como o “autoritarismo popular”. De modo resumido, o lulismo pode ser definido como um “Estado esvaziado de sentido público, empresas estatais capturadas por uma máquina partidária e empresas semiprivadas geridas por alianças entre grandes empresários e fundos de pensão sob controle de sindicalistas”, como define o professor Demétrio Magnoli. Ou seja, é o germe do autoritarismo.


Sendo um líder forte, o presidente Lula se comporta como um ser especial, sendo um sujeito acima da crítica da mídia, das análises de órgãos fiscalizadores e apresentou a prepotência, por duas vezes, de se comparar a Jesus Cristo. Lula é, resumindo tudo, um ser messiânico. Os messias acreditam na missão especial de remir a nação pelos muitos anos de atraso, sendo eles mesmos o sinal do progresso. A ideia messiânica de Lula está bem expressa na frase “nunca antes na história deste país”.


Lula não é o primeiro presidente messiânico do Brasil, o salvador da pátria. Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Fernando Collor também exerceram expressões de salvadores. A boa notícia é que a alternância de poder não deixa que esses governantes levem a sério uma ideia ridícula de messianismo. Agora, alguns solapando a democracia, procuram minar a liberdade pelo autoritarismo, como o caudilho venezuelano Hugo Chávez. Esse também se apresentou como um salvador.


Marina Silva messiânica?


A pré-candidata Marina Silva tem evitado a tudo custo um discurso messiânico. Dessa forma, é elogiável a atitude dela. Agora, muitos de seus defensores, em entrevistas e artigos, já cercam a senadora com elogios típicos de utópicos ingênuos. Portanto, certamente será bem ruim se Marina Silva não evitar uma campanha política cercada de sonhadores nas nuvens. Aliás, o messianismo já é tão forte, que seus admirados a chamam de Barack Obama brasileira.


Como os evangélicos brasileiros ainda tem uma alma católica, cercada de ídolos e grandes líderes, certamente o discurso de um presidente sob a bênção de Deus cercará a campanha eleitoral. Tanto o primeiro, como o segundo messianismo são horríveis. Leio na Bíblia que Deus deu uns para “apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores”, mas não presidente. Esse ministério “eclesiástico” não existe. Portanto, nenhum messianismo pode ser criado em torno de Marina Silva. E que a nobre senadora mantenha a postura.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Modéstia: uma virtude cristã

Há poucos dias vi uma garota evangélica, que deve ter entre 13 e 16 anos, com um aspecto sombrio. Com uma saia muito longa e com uma blusa de frio (em pleno calor), essa garota ainda apresentava um cabelo enorme e uma timidez de espantar qualquer um. Uma pessoa incapaz de olhar em seu olho, pois parece que está em constante estado de culpa. Além disso, ela não expressava sorriso no rosto, mas sim um peso horrível. Isso é o maldito legalismo que escraviza muitos religiosos, que não compreendem a Graça de Deus.


Engraçado que a Bíblia nos ensina a modéstia. Ou seja, uma mulher (e homem também) não deve ser devasso e lascivo, no trato, nas maneiras, nos usos e nem nas palavras. Agora, a modéstia também nos ensina que o outro extremo chamado de legalismo, é uma quebra dos princípios bíblicos, pois simplesmente fere qualquer equilíbrio, que é o melhor sinônimo para modéstia. Ambos, o libertino e o legalismo, estão completamente fora da Graça de Deus. O problema é que o legalista acha que com ele está tudo bem. Enganado e enganador!

Deus nos livre desses extremos.


Leia uma reflexão parecida do pastor Ciro Zibordi.


http://cirozibordi.blogspot.com/2009/11/nem-liberalismo-nem-legalismo.html

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Keith & Kristyn Getty "In Christ Alone"

Se você está cansado de ouvir essas músicas que mais falam nos homens do que em Deus, então ouça com atenção esse lindo louvor. Louvor que realmente merece o título, pois exalta a todo o momento a pessoa de Jesus Cristo, sendo cristocêntrico em sua letra. Sem personalismos, sem exaltação das necessidades humanas, sem triunfalismos e sem a maldita confissão positiva.



In Christ alone

In Christ alone my hope is found
He is my light, my strength, my song
This Cornerstone, this solid ground
Firm through the fiercest drought and storm
What heights of love, what depths of peace
When fears are stilled, when strivings cease
My Comforter, my All in All
Here in the love of Christ I stand

In Christ alone, who took on flesh
Fullness of God in helpless babe
This gift of love and righteousness
Scorned by the ones He came to save
‘Til on that cross as Jesus died
The wrath of God was satisfied
For every sin on Him was laid
Here in the death of Christ I live

There in the ground His body lay
Light of the world by darkness slain
Then bursting forth in glorious Day
Up from the grave He rose again
And as He stands in victory
Sin’s curse has lost its grip on me
For I am His and He is mine
Bought with the precious blood of Christ

No guilt in life, no fear in death
This is the power of Christ in me
From life’s first cry to final breath
Jesus commands my destiny
No power of hell, no scheme of man
Can ever pluck me from His hand
‘til He returns or calls me home
Here in the power of Christ I’ll stand


SOMENTE EM CRISTO (tradução)

Somente
em Cristo minha esperança está
Ele é minha luz, minha força, minha canção
Esta Pedra de esquina, este lugar sólido
Firme através da mais feroz seca ou tempestade
Que alturas de amor, que profundezas de paz
Quando medos são tranqüilizados, quando os esforços cessam


Meu Confortador, meu Tudo em tudo
Aqui
no amor de Cristo eu permaneço

Somente em Cristo, que se fez carne
Plenitude de Deus em indefeso bebê
Este presente de amor e retidão
Desprezado pelos que veio salvar
Até àquela cruz onde Jesus morreu
A ira de Deus foi satisfeita
Para cada pecado em que ele foi condenado
Aqui na morte de Cristo eu vivo

Naquele lugar em que Seu corpo está
Luz do mundo pela escuridão morta
Então irrompeu para fora em um dia glorioso
Saiu do túmulo, subiu novamente
E permanece em vitória
A
maldição do pecado perdeu seu poder sobre mim
Porque sou dEle e Ele é meu
Comprado pelo precioso sangue de Jesus

Sem culpa na vida, sem medo na morte
Este é o poder de Cristo em mim
Do
primeiro choro da vida ao último suspiro
Jesus comanda meu destino
Nem poder do inferno, nem planos do homem
Podem nunca me arrancar de Sua mão
Até Ele voltar e me chamar para o Lar
Aqui no poder de Cristo vou permanecer

Muro de Berlim, a queda de um sistema perverso

Nessa segunda-feira, por falta de tempo, nada pude escrever sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Depois desse evento, consolidado pelo fim da URSS dois anos depois, o mundo ficou melhor. Infelizmente, ainda não alcançamos a consolidação da democracia liberal, idealizada pelo filósofo americano Francis Fukuyama, mas certamente hoje temos um planeta mais democrata e economicamente mais rico. Milhões de pessoas saíram de regimes totalitários, e assim puderam pela primeira vez desfrutar de liberdade. Liberdade, inclusive de religião. Muitos passaram a ouvir pela primeira vez os testemunhos da Palavra de Deus.


No dicionário totalitário, as palavras demagogia, populismo, nacionalismo extremado e “vontade popular” se combinam para minar a liberdade de escolha e pensamento. Nesses ambientes, é impossível exercer a fé cristã em paz completa, pois o verdadeiro cristianismo sempre exaltou somente um único Deus, e nunca colocou o Estado acima de todas as coisas. Os cristãos não adoravam Jesus e César ao mesmo tempo, e por isso foram duramente perseguidos. Assim, na antiga Alemanha Oriental, URSS e ainda hoje na Coréia do Norte, China, Cuba e Vietnã e nos países mulçumanos, os cristãos são perseguidos, em menor ou maior escala, pelas ditaduras que não veem com bons olhos uma religião que não exalta o Estado ou a teocracia local.


O filósofo e teólogo Francis Schaeffer lembrava que o cristianismo é incompatível com o totalitarismo, pois são choques de absolutos:


Nenhuma autoridade totalitária ou Estado totalitário pode tolerar os que têm um referencial teórico absoluto, de acordo com o qual avaliam aquele Estado e suas ações. Os cristãos tinham este absoluto, de acordo com o qual julgam não somente questões de moral pessoal, mas também o Estado. [1]


Infelizmente não é muito difícil achar cristãos, influenciados por ideologias atrasadas do Século 19, que ainda defendem essas ditaduras sanguinárias. Recentemente, o ex-padre Miguel d'Escoto chamou Fidel Castro de “o melhor discípulo de Jesus" (sic). Um grande admirador do sem noção Miguel d'Escoto, é o teólogo preferido da turminha progressista evangélica, Leonardo Boff.


Para essa turma de progressistas, incluindo aí, muitos nomes respeitados, a Alemanha Oriental era um avanço moral, pois não apresentava consumismo e todos viviam de modo igualitário. Assim, justificam a violência e o poder excessivo de um Estado brutal, burocrático e oficialmente anticristão. Talvez, o cristianismo seja a única religião do mundo onde os próprios adeptos alimentem os seus próprios inimigos. Democracia é o valor cristão, pois lembra muito bem o papel de cada membro do corpo (I Co 12).


Referência Bibliográfica:

[1] SCHAEFFER, Francis. Como Viveremos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003. p 17.

domingo, 8 de novembro de 2009

Hernandes Dias Lopes desmente participação em evento neopentecostal

O reverendo Hernandes Dias Lopes negou participação em evento promovido pelo pastor Jabes de Alencar. Segundo vídeo divulgado no programa “Verdade e Vida”, da Igreja Presbiteriana do Brasil, o nome do Rev. Lopes foi colocado indevidamente na lista dos pregadores do Congresso Avivamento Total 2009, que aconteceu nesse último final de semana. O evento contou com nomes ilustres do neopentecostalismo, como René Terra Nova, o paipóstolo, e o curador de primeira hora Valdomiro Santiago.

Além dos tradicionais Silas Malafaia, Jorge Linhares, Josemar Fonseca, o congresso também contou com a presença do neopentecostal americano Myles Munroe. Entre outros ilustres, estava o “apóstolo” Sérgio Lopes, empresário radiofônico com tendências megalomaníacas. Certamente, com todos esses nomes, a presença do Rev. Lopes destoava bastante.


Desmentindo a participação, Lopes mostrou coerência. Não adianta pensar que ele poderia exercer influência positiva no evento. Não mesmo. As pessoas que frequentam esse tipo de congresso vão em busca de triunfalismo misturado com misticismo. Seria como jogar pétalas aos porcos. Outro fato mostra a desavergonhada organização do evento, que colocou o nome de alguém que não foi contatado.


E o avivamento total começa com mentiras?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Davi Unifica o Reino de Israel

Lição 06

Subsídio escrito pela Equipe de Educação da CPAD

Texto Bíblico: 1 Samuel 16.1,12,13; 2 Samuel 5.2

Dois incidentes que merecem a nossa atenção na trajetória de Davi rumo à unificação do reino são as mortes de Abner, comandante das tropas de Saul, e posteriormente de Isbosete, filho de Saul. Quando já proclamado rei pela casa de Judá, Davi dá sinais de aproximação das outras tribos quando enviou uma comitiva a Jabes-Gileade parabenizando-o pelo gesto humanitário que tiveram com Saul (2 Sm 2.5-7). A intenção de unificação demonstrada por Davi é vista nas suas palavras que a comitiva levou a Jabes-Gileade: “Esforcem-se, pois, agora as vossas mãos, e sede homens valentes, pois Saul, vosso Senhor, é morto, mas também os da casa de Judá já me ungiram a rei sobre si” (2 Sm 2.7).

A existência de dois reis, um em Hebron e outro em Maanaim, gerou uma guerra civil, levando os homens de Davi e Isbosete a se enfrentarem numa batalha sangrenta (2 Sm 2.12-17). Nessa batalha Davi saiu vencedor. A unificação fica mais próxima quando Abner, comandante do exército de Isbosete, se desentende com ele e procura Davi, reconhecendo ser este o legítimo herdeiro do trono (2 Sm 3.9,10). Os preparativos para a unificação já estavam em andamento quando Joabe, comandante das tropas de Davi, mata por vingança a Abner (2 Sm 3.20-22). O incidente colocou Davi numa posição delicada, já que poderia ser acusado de ter conspirado contra a vida de Abner. Numa postura firme para demonstrar sua inocência diante do incidente, Davi amaldiçoa Joabe por seu ato traiçoeiro (2 Sm 3.28,29). Em um momento delicado como esse Davi não podia deixar que nenhuma dúvida pairasse sobre sua integridade. Se ele estava no trono foi por desígnio divino, e não por resultado de alguma armação. Davi convocou um luto geral, e ele mesmo seguiu o corpo de Abner em seu sepultamento em Hebrom. “Rasgai as nossas vestes, cingi-vos de panos de saco, os sinais de profunda tristeza”(2 Sm 3.31). Por não suspeitar do mal, Abner não fez qualquer tentativa de defesa ou fuga. O luto continuou com um jejum por todo o dia, observado tanto pelo rei como pelo povo. A conduta e a evidente sinceridade do rei deixaram claro para todas as tribos de Israel que a morte de Abner não foi determinada por ele.

A ocorrência desses incidentes e como Davi se portou diante dos mesmos são de extrema importância no processo de restauração do reino. A história de Davi deixa claro que fora colocado no trono por Deus, e não pelo homem. Ele sabia que para crescer e unificar seu povo não necessitava matar ninguém. Infelizmente, alguns para crescer acreditam ser necessário matar os outros.

Tendo morrido Abner e Isbosete, os anciãos de Israel procuraram Davi e lembraram-lhe da promessa que o Senhor lhe fizera: “Somos do mesmo povo que tu és. Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu que fazias entradas e saídas militares com Israel; também o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e será chefe sobre Israel” (2 Sm 5.1,2). Com esse gesto, os anciãos de Israel demonstraram serem sabedores de que a unção real estava de fato sobre Davi e, portanto, não havia razão para se postergar ainda mais a sua escolha como líder de toda nação (2 Sm 5.3). Com a coroação de Davi sobre todo o Israel, o reino finalmente estava unificado.

Texto extraído dos livros: GONÇALVES, José. et. al. Davi, As vitórias e as Derrotas de um Homem de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

MULDER, Chester O. et. al. Comentário Bíblico Beacon, v 2. Rio de Janeiro: CPAD 2008.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Confusão e comunicação!

Há uma interessante história no livro Wittgenstein: The Man and His Philosophy, traduzido por Júlio Lemos, da Revista Dicta e Contradicta. Leia:

Um sábio chinês, em um passado longínquo, certa vez foi abordado pelos seus discípulos, que lhe perguntaram o que ele faria se lhe fosse concedido o poder de colocar em ordem os assuntos do país. Ele respondeu: “Eu certamente garantiria que a linguagem fosse empregada com correção”. Os discípulos ficaram perplexos. “Na verdade”, eles disseram, “se trata de um assunto meio banal. Por que o Sr. atribui tanta importância a isso?” E o Mestre replicou: “Se a linguagem não é empregada com correção, então o que é dito não é o que se quer dizer; se o que é dito não é o que se quer dizer, então o que deve ser feito permanece por fazer; e se permanece por fazer, a moral e a arte serão corrompidas; se a moral e a arte forem corrompidas, a justiça não funcionará; e se a justiça não funcionar, então o povo entrará num estado de confusão sem volta”.

Lendo essa pequena história, lembro da importância da linguagem. Deus usou a linguagem humana para comunicar, principalmente por meio da escrita. O desprezo por essa linguagem realmente só pode trazer confusão para o nosso meio, como os evangélicos no Brasil são um claro exemplo. Todos os nossos problemas se resumem na comunicação: Não ouvimos (Palavra) e nem falamos (oração). O nosso problema, repito, é comunicacional. Falta leitura, falta hermenêutica, falta exegese, falta espiritualidade. É o fim! É confusão!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Marchando pela vergonha!


É ruim acordar na manhã dessa terça-feira e ler as notícias sobre a “Marcha Para Jesus”. Em lugar de espalhar boas novas, essa turma, que precisa “renascer de novo”, só traz escândalos e vergonha para todos os evangélicos.

Leia o texto impecável do colunista do jornal Folha de S. Paulo, na edição de hoje:

A Marcha de Jesus e o Diabo

Por FERNANDO DE BARROS E SILVA

SÃO PAULO - Uma multidão acompanhou ontem em São Paulo a Marcha para Jesus, manifestação das igrejas neopentecostais que existe no país desde 1993. A PM falava à tarde em pelo menos 1 milhão de participantes; os organizadores esperavam 6 milhões até a noite.
Há muita imprecisão nessas estimativas, mas é fato que a marcha dos evangélicos -ao lado da Parada Gay, que mobiliza outras tribos e sentimentos- responde pela maior concentração popular da cidade, o que indica a força dessa nova fé.

São dezenas de igrejas reunidas, entre as quais a Universal do Reino de Deus, mas a coordenação é da Renascer em Cristo, do casal Estevam e Sônia Hernandes. O tema neste ano foi "marchando para derrubar gigantes" -e o maior deles, como dizia Estevam, "é o gigante da discriminação e do estereótipo".

O líder da Renascer usou o evento para fazer alusão ao episódio em que ele e sua mulher foram condenados e cumpriram pena nos EUA por contrabando de dinheiro. Para não deixar dúvidas, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), da Igreja Universal, dizia que a marcha era um "ato de revogação de todas as injúrias e difamações" contra o casal Hernandes. Aonde chegamos?


Há poucos dias, convidado a uma inauguração na Rede Record, o presidente da República disse que a emissora, como ele, era "vítima de preconceito". Lula, é claro, nada falou sobre o processo judicial em que Edir Macedo, dono da Record, e outros nove líderes da Igreja Universal são acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A fala do presidente sobre o "preconceito" que vitimaria a Record é muito parecida com o que diz o líder da Renascer a respeito da "discriminação". E o silêncio de Lula sobre as denúncias que atingem a cúpula da Universal e seus negócios equivale a um ato de revogação de qualquer suspeita sobre os amigos, como fez ontem o senador Crivella.

Há um ar de família entre a marcha dos evangélicos e a marcha da política. Diante da coalizão entre Jesus e Judas, querer legalidade hoje no país parece até coisa do Diabo

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pecado da Sexualidade - Pr. John Piper



Sermões que tocam no real problema da sexualidade pecaminosa. Ouça com bastante atenção!