As maiores igrejas evangélicas do país vão apoiar candidatos próprios para as eleições de 2010, principalmente denominações pentecostais e neopentecostais, à semelhança das demais campanhas eleitorais. Nesses apoios sempre o discurso é o mesmo: “Precisamos combater leis perversas e antibíblicas”. É caro leitor, não encare esse blogueiro como apolítico, pois a política é um assunto muito importante e essencial para a civilidade. Agora, algumas perguntas não podem calar:
Por que muitos dos “representantes” das igrejas são parentes de primeiro grau dos grandes “caciques” denominacionais?
Engraçado. A vocação política muitas vezes atinge somente os parentes dos líderes denominacionais, ou pessoas de extrema intimidade familiar. Estranho isso. Não que os parentes de pastores líderes não possam se candidatar, mas precisam que eles sejam os representantes oficiais de uma determinada igreja?
As denominações medem as consequências de uma aliança política?
Algumas cidades pequenas do interior nordestino e nortista encaram a política e grupos políticos com a mesma paixão futebolística. Muitas vezes beira ao fanatismo. Gerações familiares votam, muitas vezes, no mesmo grupo político. Maridos brigam com suas esposas e esposas com seus maridos, se o mesmo votar no grupo que o outro ou a outra odeia. Dificilmente existirá nessas cidades pessoas neutras, que votam conforme as propostas apresentadas. Esse problema é fruto do coronelismo político controlado pelas oligarquias familiares que dominam o cenário político dessas pequenas cidades, perpetuando a miséria e a corrupção.
Então, imagine nesse quadro de fanatismo uma igreja apoiando candidato A ou B. Pelo menos metade da cidade odiará aquela igreja pelo apoio dispensado para determinado candidato. Isso é horrível. Um quadro comum em muitas cidades pequenas, sendo fruto de alianças insensatas de pastores sem entendimento. Fora quando os próprios pastores não vendem os votos de suas ovelhas, sendo algo certamente diabólico!
Aliás, qual o motivo para uma denominação nomear representantes?
Quase todas as denominações nascerem com um ideal de propagar o Evangelho. Então, qual o motivo de envolvimento político-partidário? A missão primordial da existência dessas igrejas não seria a evangelização e discipulado? Onde a política entra na Grande Comissão? Estão abraçando uma visão de construção da cosmovisão cristã ou na verdade estão abraçando a “teologia” do domínio?
Alguns perguntam: Como podem surgir candidatos evangélicos sem o apoio das denominações? Simples! Todo aspirante político deve crescer sem padrinhos, sejam eles religiosos ou empresariais. Devem buscar um envolvimento nos partidos para o seu próprio crescimento, por propostas inteligentes e eficientes. Se receber patrocínios sem garantias em troca, tudo bem, mas o que não pode é fazer negociatas.
Alguém responde: “Deixa de ser ingênuo blogueiro... Ninguém ganha eleições sem apadrinhamento”. Realmente é difícil que isso ocorra, mas não é impossível. Aliás, o padrão de política dos evangélicos será a falcatrua dos ímpios? “Não ameis o mundo... não vos conformeis com esse mundo”... Assim não diz as Santas Escrituras? Se não ganhar é melhor do que se sujar!
Alguém poderia responder essas perguntas?
PS: A questão do exemplo de moralidade!
Os “representantes evangélicos” estão defendendo a moral nas instituições políticas?
Será que enquanto lutam legitimamente contra o aborto, alguns “irmãos” estão envolvidos em atos secretos do Senado ou nos “esquemas” da Câmara? Por que a Bancada Evangélica não assina um manifesto pelo afastamento do presidente do Senado José Sarney (PMDB- AP)? Por que a Bancada Evangélica como um todo não efetuou uma oposição aos escândalos nos casos Renan Calheiros (PMDB-AL) e Antônio Carlos Magalhães (antigo PFL-BA)? São eles também lenientes com a podridão? Os nobres deputados e senadores estão presos as imoralidades dos partidos que fazem parte? Por que a Bancada Evangélica não luta contra os atos secretos do Senado e no aumento de salário dos nobres deputados, defendida pelo baixo clero? Por que a Bancada Evangélica não se mobiliza para mostra à opinião pública que é um paladino da moralidade?
Os caros deputados evangélicos devem se preocupar com as leis a favor do aborto ou leis absurdas com a PL 122/2006, mas também deveriam ser exemplos da tentativa de moralização da Câmara e do Senado.
É necessário que essa Bancada Evangélica seja sal da terra dos três poderes, pois se não for, só prestará para ser “jogada fora” nas eleições de 2010.
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Deve uma denominação apoiar candidatos políticos?
Domingo, 5 de Julho de 2009
Como é horrível a arrogância “espiritual”
- Como são horríveis esses “profetas” que estão acima da crítica. Certamente são tão perfeitos que nada devem (?). São aqueles que dizem que só respondem a Jesus e não devem satisfação a ninguém. Horrível!
- Como são horríveis esses “profetas” que anunciam “grandes e tremendas revelações”, que dizendo eles, sacudiriam o Brasil e seriam estampadas nas primeiras páginas dos jornais. Bendita a Bíblia que não deixa espaço para “megamaníacos” evangélicos.
- Como são horríveis esses arrogantes “homens de Deus” que tentam diluir as críticas dizendo indiretamente que eles são “o cara”.
- Como são horríveis esses homens que tentam se igualar a Paulo e João. Portam-se como detentores de novas verdades. Pensam que para ser pentecostal precisam desses espetáculos que cheiram heresias, modismos e extravagâncias litúrgicas.
- Como são horríveis esses “profetas” que erram em suas “profecias” e depois tentam fazer uma leitura metafórica dessas mesmas palavras. Como seria bonito reconhecer o erro e esquecer esse equívoco!
- Como são horríveis aqueles que tentam justificar seus erros analisando o erro alheio. Jesus já tinha condenado isso...
Ah, lembrando que qualquer semelhança é mera coincidência!
Sábado, 4 de Julho de 2009
Os protestantes não mataram e nem salvaram o Brasil
Na década de 1980, surgiu no Brasil um livro polêmico do sociólogo Delcio Monteiro de Lima intitulado Os demônios descem do norte [1], nessa obra Lima defendeu a tese que os pastores são agentes da CIA (polícia secreta americana) para combate dos comunistas. O título do livro já mostrava a imagem “amigável” desse autor sobre os protestantes norte-americanos que evangelizavam o Brasil.
Não só Delcio Lima era um desconfiado. Outros estudiosos católicos disseram o mesmo. No México da década de 1920, Regis Planchet escreveu:
O protestantismo é uma forma do capitalismo norte-americano, elemento conquistador, amigo do capitalista e inimigo do trabalhador, que se tem proposto mediante suas escolas, seus templos e seus esportes a americanizar o povo.
Waldo Cesar, na década de 1960 escreveu:
O protestantismo latino-americano se estabeleceu aqui no “ventre” de uma intervenção estrangeira e leva as marcas do sectarismo e individualismo que a caracterizam. Resultou, pois, de uma aculturação que nada tem a ver com a nossa origem e formação histórica e num subproduto das conquistas políticas, econômicas e culturais dos séculos passados. [2]
Ainda, no passado colonial, já havia um temor diante do avanço protestante. O padre Antônio Vieira escreveu o famoso Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, em que, muito preocupado, faz a seguinte oração:
Enfim, Senhor, despojados assim os templos, e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica, acabar-se-á o culto divino, nascerá ervas nas igrejas como nos campos, não haverá quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as pedras das ruas, como diz Jeremias que choravam as de Jerusalém destruída: “As ruas de Sião choram, porque não há quem venha às solenidades”. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa devoção dos fiéis, como costumava em semelhantes dias. Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes que as digam; morrerão os católicos sem confissão nem sacramentos; pregar-se-ão heresias nestes mesmos púlpitos, e, em lugar de São Jerônimo e Santo Agostinho, ouvir-se-ão e alegrar-se-ão neles os infames nomes de Calvino e Lutero; beberão a falsa doutrina os inocentes que ficarem, relíquias dos portugueses, e chegaremos a estado, que, se perguntarem aos filhos e netos dos que aqui estão: menino, de que seitas sois? Um responderá: eu sou calvinista. Outro: eu sou luterano. [3]
É claro, a visão apocalíptica de Vieira não aconteceu. Temos Natal, e as igrejas não foram tomadas de ervas. Também não existe uma ligação ideológica com o capitalismo americano de víeis liberal nas igrejas brasileiras, conforme do mexicano Regis Planchet acusava. Pelo contrário, mesmos os adeptos da Confissão Positiva, não assumem posição político-econômica alguma, senão suas crendices supersticiosas e antibíblicas [4]. O pentecostalismo e o neopentecostalismo brasileiro são bem brasileiros, com poucos resquícios europeus e americanos. Pelo menos, em nossos dias, os vícios e mazelas das igrejas refletem a nossa cultura do jeitinho e da aética. Somente no Brasil é possível a proliferação de um movimento bizarro (para falar o mínimo) denominado como “reteté” e que ainda atribuem a uma ação do Espírito Santo.
Portanto, o Brasil não acabou porque os protestantes avançaram. Logo, o dito protestantismo que aqui avanço longe está de suas raízes. Mas enquanto os protestarem não mataram o país, também não salvaram.
Nada mudou
O Brasil continua sincrético, místico, idólatra, supersticioso, corrupto etc. Em lugar das igrejas evangélicas colaborarem com a erradicação desses vícios e pecados, pelo contrário, tem alimentado essas misérias. É uma igreja que não influencia a cultura, mas é influenciada por ela. As igrejas rodam e alimentam esses vícios e ainda os “santificam”, o que é pior!
Quantos pastores pregam em rádios piratas e contam um testemunho de como escapou da polícia por não ter a carteira de motorista regularizada. Os evangélicos avançam pelos morros cariocas, e os traficantes conseguem conviver numa boa, nem um pingo incomodados pelos pregadores, e continuam com o seu tráfico e assassinatos.
O mal não começou somente com os carismáticos. Grande parte das igrejas tradicionais apoiaram a ditadura militar sob alegação de que as alternativas eram piores ( e realmente eram, pelos menos equivalentes, pois se resumiam em outras ditaduras). Mas isso não justifica. Então, por que não propuseram uma nova alternativa democrática? Entre a ditadura dos militares e a ditadura dos stalinistas, a igreja poderia ser aquela voz profética democrática, defendendo o Estado de Direito e a liberdade.
Infelizmente ainda falta um genuíno avivamento nas terras tupiniquins, para que essa sociedade possa mudar os seus valores, e assim agir de maneira mais humana. Um protestantismo como nome de “evangélicos”, que anda distante das Escrituras jamais poderá mudar essa terra.
Notas e Referências Bibliográficas:
[1] LIMA, Delcio M. Os demônios descem no norte. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1987. p 155. No seu mandado, o presidente venezuelano Hugo Chávez tem impedido o trabalho de missionários americanos nas tribos indígenas sob a mesma alegação ridícula. Leia um trecho da tese de Dércio: “Os movimentos autônomos de cunho religioso, notadamente os de cunho pentecostal e neopentecostal, surgidos nos EUA desde meados do século 19 até a atualidade, são sub-produtos de um capitalismo que necessitava de uma base ideológica para se sustentar em seus desatinos de exploração e criação de subsistemas, para retro alimentar os mecanismos de dominação ideológica e manutenção de poderes da matriz do grande capital- os EUA... Entra em cena a CIA e a facilitação da implantação das seitas eletrônicas americanas em terras latino americanas como uma reação ao “perigo” que representava a Teologia da Libertação e a organização popular que os padres e bispos que seguiam esse movimento teológico promoviam, através das CEBs., do sindicalismo e da organização dos trabalhadores rurais.”
[2] FERREIRA, João Cesário Leonel Ferreira (org.). Novas Perspectivas Sobre o Protestantismo Brasileiro. São Paulo: Fonte Editorial e Edições Paulinas, 2009. p 44.
[3] VIEIRA, Antônio. Sermões do Padre Vieira. Porto Alegre: L&PM, 2007. p 86-87.
[4] A intitulada “Teologia da Prosperidade” (TP) não é nem de longe um víeis econômico liberal. Enquanto os economistas liberais pregam uma prosperidade pelo livre mercado e por esforço do indivíduo empreendedor, a TP prega uma prosperidade espontânea e mística por intermédio de uma intervenção divina, fruto de um processo de trocas (sacrifícios que resultam em bênçãos). É claro que a TP também não é socialista ou social-democrata. Portanto, são ridículas essas analogias em que a TP é o liberalismo econômico na religião e a Teologia da Libertação (TL) é o socialismo na religião, e por isso rivalizam. Isso não faz sentido. A TP é mera construção teológica deturpada e mística, já que tem raízes na seita Ciência Cristã. Não é à toa que o maior propagador da TP, o senhor Edir Macedo, é um aliado político do governo Lula, mediante o seu partido. Já a TL é realmente de viés socialista e os seus ideólogos não escondem isso, e também estão com o governo Lula.
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
A Primeira Carta de João
Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD): 1 João- Os fundamentos da fé cristã e a perfeita comunhão com o Pai (3° Trimestre de 2009)
Uma carta cujo foco é um entendimento correto sobre a pessoa de Jesus Cristo. Assim poderia ser o resumo da primeira epístola do apóstolo João. Assim como o Evangelho, o apóstolo João transmite em seus escritos um pouco sobre o amor de Cristo. Mas, João tinha um propósito muito claro em escrever sobre esse assunto, ele queria que seus filinhos tivessem a certeza da vida eterna, mediante um entendimento cristológico claro e sem as amarras e heresias dos gnósticos.
Quem escreveu essa epístola?
João. É óbvio! Não, essas questões não são tão óbvias assim. Primeiro, a epístola não está assinada. Nem no início, nem no final. Segundo, o pensamento e a linguagem diferem do Evangelho de João. Então, o que se leva a crer que essa epístola foi escrita pelo apóstolo João, aquele mesmo do Evangelho e do Apocalipse?
Várias são as razões para atribuir a João, a autoria dessa carta. Primeiro, a maior parte da tradição patrística atribuíam a João essa autoria. Os patrísticos como Policarpo de Esmirna (que morreu em 155 d. C), Papias de Hierápolis (Século II), Irineu de Lião (Século II), Clemente de Alexandria (Segundo II) e Tertuliano (Século II e III), todos esses mencionam João como autor dessa carta. Então, como os principais nomes da igreja primitiva atribuíam ao apóstolo amado esse autógrafo, isso já é um fator determinante.
Segundo, a linguagem diferenciada do quarto Evangelho é fruto de propósitos e circunstâncias diferentes da narrativa sobre Jesus. Nessa carta, que tem um cunho pastoral muito forte, João usa uma linguagem de intimidade e carinho. Isso por causa de uma circunstância particular, que era a necessidade de instruir determinada igreja que estava necessitada daquelas palavras. O propósito e circunstância muda o texto de qualquer um. Estejam certos que a forma como esse blogueiro escreve um trabalho acadêmico, será bem diferente um e-mail para um parente ou um scrap (do Orkut) para um amigo ou um post para o blog. O mesmo acontece com os escritos da antiguidade.
Qual a explicação para a ausência de nomes e destinatários? Não existe uma reposta. A hipótese mais provável é que “João escreve de onde residia, em Éfeso, a certo número de igrejas da província da Ásia, que estavam sob sua responsabilidade apostólica (cf. Ap 1.11).”[1] Dessa forma, pela ausência desses elementos epistolares, muitos até contestam o caráter de carta atribuída a esse escrito. Mas a estrutura interna mostra que havia um endereço muito específico para esse manuscrito, portanto era uma carta de estrutura rara.
Agora, a proximidade entre o quarto Evangelho e a epístola é quase gritante. Lendo os primeiros versículos da carta é impossível não lembrar os primeiros versículos do Evangelho. Ou seja, até mesmos para leituras superficiais dessa epístola é evidente a proximidade. Outros textos no decorrer do Evangelho e Epístola são próximos, como por exemplo, o mandamento para amar uns aos outros (I Jo 2.34; 3.22,24; 5.2,3 comp. Jo 14.15,21; 15.10). John Stott lembra:
Portanto, nós temos sugerido que as semelhanças de matéria e assunto, estilo e vocabulário no evangelho e na primeira epístola fornecem evidências muitos fortes em favor da identidade de autoria, não enfraquecidas substancialmente pelas peculiaridades de cada um, nem pelas diferenças de ênfase no trato de temas comuns. Estas se explicam pelo propósito subjacente a cada escrito e pelo lapso de tempo que por isso mesmo se pode admitir entre eles. [2]
Agora, mesmo sendo impossível provar com certeza absoluta (redundância proposital), pela falta da assinatura, isso não muda em nada o conteúdo de fé exposto na carta. Como escreveu Robert Berg: “De qualquer modo, a mesma autoria destes livros por João, o filho de Zebedeu, não é enfim crucial em termos de interpretação e certamente não o é em termos de inspiração e autoridade” [3].
Agora, seguindo a tradição milenar, os estudantes da Bíblia podem desfrutar de uma riqueza estimável escrita pelo apóstolo do amor. Verdades como “amor”, “justiça”, “segurança da salvação”, “anticristos”, “falsos milagres” são alguns dos temas tratados para o estudo de um trimestre.
Referências Bibliográficas:
[1] STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p 1954.
[2] STOTT, John R. W. I, II e III João: Introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007. p 22.
[3] ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 1749;
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Não alimente o Estado demasiadamente
No Estado de São Paulo, algumas câmaras municipais estão estudando leis que proíbem a circulação de menores de idade desacompanhados, tanto no final da noite e também na madrugada. O argumento principal é que essa medida governamental coibirá a violência, prostituição e tráfico de drogas entre os adolescentes. Essas leis estão inclusive sendo apoiadas e/ou formalizadas por vereadores evangélicos.
Isso é bom? Se olharmos os efeitos nas cidades que já implantaram essas leis, vemos que a violência realmente caiu. Certamente quando se restringe a circulação de jovens, que são potenciais agentes da insegurança, efeitos positivos surgem. Realmente tal medida é prática, mas não convém. Por que então essa medida não é viável?
Não é uma medida sensata dar muito poder ao Estado para gerenciar a vida das pessoas. Sim, adolescentes não devem andar pelas ruas na madrugada, mas cabe aos pais impedirem essa indisciplina e não a polícia do Estado. Os pais que devem educar e restringir, mas nunca a tutela generalizada dos adolescentes deve ficar na mão de um poder governamental.
Quando menos Estado gerenciando a vida das pessoas, isso é o melhor. Não é boa coisa, e nunca foi, uma dependência do Estado. Onde estão as famílias que não controlam seus menores de idade nos horários que devem andar pelas ruas da cidade? Menos que as famílias sejam falhas, o estágio de relação mais correta é filhos com pais e não filhos com o Estado. Portanto, esse apoio massivo as medidas de tutela governamental abre precedentes perigosos.
Um caso real
Quando o governo Lula (uma amante ideológico do aparelhamento do Estado) criou as faixas etárias na programação televisiva, muitos evangélicos apoiaram. Ora, que maravilha, o governo promovendo a moralidade na televisão?! Nada disso, não é o Estado que deve falar o que a criança assiste ou não, cabe aos pais essa tarefa. Mas a lei passou, e hoje todos os programas de televisão têm uma faixa classificativa.
Recentemente o mesmo órgão que proíbe a novela das oito de passar em “horários acessíveis para a criança”, quis classificar um programa evangélico como inadequado para menores de idade, pois esse programa “promove a homofobia”. Estão vendo? Alimente o Estado e ele começa a dar ordens em todas as esferas. Primeiro que esse programa não promove a homofobia, segundo, que nada lá passa que uma criança não possa assistir. Mas quando o Estado entende uma coisa, ele é que decide.
Somos indivíduos (não independentes) que vivem em grupos sociais. Mas vivemos em vários grupos sociais (família, igreja, sociedade, escola, trabalho etc.) e nenhum desses grupos pode ter primazia sobre o outro.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Debate Blogélico: Evangélicos e política
Pode um pastor se envolver com política partidária? E a compra de votos entre crentes? Denominações devem apoiar candidatos? Os evangélicos brasileiros sabem aproveitar bem a política? Pois é, essas e outras perguntas correram nesse novo debate blogélico, entre esse blogueiro, o Victor Leonardo (Geração que Lamba) e o João Paulo Mendes (Blog do JP). Ouça, baixe e comente.
Nesse link: DEBATE
Feridos em nome de Deus
Domingo, 28 de Junho de 2009
Isto é uma vergonha!
Lendo o blog do amigo evangelista Daladier Lima, me deparo com uma notícia desagradável noticiada pela Agência Estado. Leia a matéria (em itálico) e eu comento depois:
Assembleia de Deus já pede voto de fiéis para 2010
O bispo Manoel Ferreira, presidente vitalício da Assembleia de Deus e deputado federal (PTB-RJ), tem mandado cartas aos pastores importantes da igreja, a maior denominação evangélica do País - com cerca de 3,5 milhões de adeptos - para pedir votos ao também pastor Dilmo dos Santos para deputado estadual em São Paulo nas eleições do próximo ano.
Obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo, a correspondência tem tom ameaçador e deixa claro aos pastores presidentes de campo (responsáveis pela administração de uma média de 50 templos) que seus cargos são de confiança e eles estão obrigados a apoiar o candidato.
"Esta eleição me mostrará quem são meus amigos e homens de confiança através dos mapas eleitorais. (...) Oro a Deus que não tenha nenhuma surpresa negativa, o que evidenciaria em quebra de confiança", diz o texto.
Ferreira determina aos pastores em outro trecho que rompam qualquer acordo com outro político. "Mais vale a presidência de uma igreja e a confiança de um presidente nacional vitalício que qualquer acordo político contra a nossa vontade."
A seguir, o dirigente conclama os pastores a iniciar imediatamente o que chama de "conscientização" da pré-candidatura. "Não vamos iniciar o trabalho na época da eleição", defende. A legislação define a data de 6 de julho do ano de pleito, ou seja, daqui a pouco mais de um ano, para o início da propaganda política.
Presidente da Assembleia de Deus em Piracicaba, interior de São Paulo, Dilmo dos Santos não vê nenhuma irregularidade na propaganda antecipada.
"Esta é uma decisão interna corporis da igreja. Eu tive minha pré-candidatura aprovada em um congresso da denominação em novembro do ano passado, em Bauru. Além disso, não estou fazendo campanha, sou apenas pré-candidato indicado pela instituição e não temo que a carta seja interpretada como campanha antecipada", disse.
Procurado pela reportagem durante três dias, o bispo Manoel Ferreira não retornou às ligações com pedido de entrevista.
Comentário:
Pois é, o que posso comentar? Melhor lamentar, pois quem sabe ainda reste um pouquinho de esperança. Mais uma vez o terrível e pernicioso “coronelismo pentecostal” se manifesta. E o coronelismo não combina com ética, mas sim com um pragmatismo amoral. O amado pastor candidato (aliás, pré-candidato), não vê nada demais em fazer campanha eleitoral fora de tempo, quando isso é proibido pela lei do país. O que comentar? Se lamentamos pela falta de ética dos nossos governantes, como temos visto a crise no Senado, então só podemos lamentar por esse episódio. Se aquela carta não é uma campanha antecipada, ela é o quê? Sejamos coerentes com a inteligência das pessoas!
Não podemos nos calar diante dessas questões anti-éticas. Cadê os protestos do povo de Deus? Onde estão os “protestantes” que pararam de protestar? Ainda naquela linguagem “espiritual” o amado bispo-deputado diz: “Oro a Deus que não tenha nenhuma surpresa negativa, o que evidenciaria em quebra de confiança”. Ameaça velada usando o nome de Deus. Será que esquecemos que usar o nome de Deus em vão é pecado?
Hoje em dia o “poder pentecostal” se confundiu com poder sobre os homens, a política, as grandes empresas... Oxalá que pudéssemos viver com o princípio dos pioneiros do pentecostalismo, que nada viam na glória dos homens, mas sim no Reino de Deus! Ao dito pastor (pré) candidato já fizeram até uma música que passa todos os sábados em um daqueles programas “evangelísticos”.
Ah, sem mais, encerro minhas palavras. Mas lembre-se, aí daquele que não votar no irmão, pois...
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Amor, a Virtude Suprema
Uma reflexão do equilíbrio entre verdade e amor
Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD)- I Coríntios: Os problemas da Igreja e suas soluções
Não se conhece um verdadeiro cristão pelo seu modo de vestir (usos), de falar (evangeliquês), de suas proibições (legalismo), de seus modos (costumes), de suas teologias (correntes de pensamento), mas sim e principalmente pelo amor (cf. Jo 13.35). Todos os aspectos primeiramente citados são secundários diante do amor, pois eles seguem quem pratica essa virtude suprema. Mas e a convergência do amor com a verdade?
Amor ou verdade? Ortopraxia ou ortodoxia?
Dentro dessa lição é importante destacar a relação entre a verdade e o amor. Isso por algumas razões. Em primeiro lugar, existe uma tendência atual de alguns pastores protestantes que abraçam uma “nova espiritualidade”, que destacam a piedade e o amor de modo. O propósito é fazer de todos os crentes “humanos melhores”. Até aí tudo bem. Isso é cristianismo, ou seja, novas criaturas em Cristo Jesus. Mas muitos desses parecem que veem na chamada “velha ortodoxia” um grande empecilho no desenvolvimento da “nova espiritualidade”.
Por que isso? O que a ortodoxia é nociva a uma verdadeira espiritualidade? Por que essa ideia? Nada disso, só somos cristãos completos se tivermos amor e verdade em nossos corações. Amor e verdade são irmãos siameses. Tire um e você distorce o outro. Verdade sem amor é horrível, é o pai da Inquisição. Amor sem verdade é horripilante, é a cegueira espiritual de pessoas com cara de boazinhas. Defender uma “verdade” sem amor é fácil, vejo por exemplos os comunistas, fascistas e nazistas. Defender uma vida de suposto amor sem a verdade é também fácil. Alias, para que eu me pareça bom e politicamente correto, não preciso sequer de religião.
A verdadeira espiritualidade não é divorciada da verdade. As colunas da espiritualidade e suas práticas estão na verdade bíblica. Mesmo as pessoas piedosas de outras religiões ou até mesmo ateais, quando praticam o bem ao próximo, estão na verdade obedecendo a princípios bíblicos, bem que de modo inconsciente. Alguns ateus são defensores de “valores humanos”, tais como a tolerância, respeito, amor, perdão etc. Ora, tudo isso está nas Escrituras. Os princípios são cognitivos a partir de verdades expostas. Parte da verdade de Deus também está exposta no coração dos homens.
Agora, praticar muitas boas obras faz de alguém filho de Deus? De maneira nenhuma. Ser pobre, miserável e desvalido faz necessariamente um homem como filho do Senhor? De maneira alguma. Ora, então isso é injustiça, não é verdade? Não, não é injustiça. Suje sua mão com barro e tente limpar um papel que está sujo que dois ciscos. O que acontecerá? Sua boa obra pôde limpá-lo? Sua boa obra pôde pelo menos melhorar o papel? Agora, experimente uma ducha da torneira, com água corrente e limpa. O que acontecerá? Maravilha! Mãos limpas, que tirando os ciscos dos papéis também melhorarão a qualidade dessa folha.
Pense bem. É lógica. Obras sociais que não alcançam a alma humana adiantam alguma coisa? Sim, adiantam. Adiantam nessa terra, cuja vida passa como um vento. Mas e a eternidade? A missão da igreja só é completa se for integral. Mude o homem nessa terra e apresente a possibilidade de uma eternidade com Cristo. Sim, sabemos que não precisamos chegar ao céu para desfrutar de uma vida digna. Podemos desfrutar dessa vida abundante ainda hoje, sem neuroses, sem desesperos existenciais, sem opressão. Tudo isso é possível dentro de uma comunidade cristã sadia. A comunidade de cristãos tem a missão de ajudar uns aos outros. Como pode alguém do meio da comunidade passar fome? Será que não existe assistência dos irmãos? Que irmão é esse que não ajuda outrem? Prometer o céu fechando as mãos é uma tarefa longe do Evangelho de Cristo. O apóstolo Tiago em sua epístola (2.14-17 BJ) já disse:
Meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, o que lhe aproveitará isso? Acaso a fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia, e alguém dentre vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos”, e não lhes der o necessário para a sua manutenção, que proveito haverá nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, está morta em seu isolamento.
Vocês observaram como a última expressão de Tiago: “morta em seu isolamento”? Sim, no isolamento da verdade (sem amor) há morte. O mesmo serve para o contrário. Isolamento do amor (sem verdade) gera morte. Portanto, sempre será uma tarefa diabólica a promoção do divórcio entre a verdade e o amor ou entre o amor e a verdade.
Os perigos da beleza e amor sem a verdade
O romancista inglês G. K. Cherterton criou uma história muito interessante de dois poetas que dialogam em um bairro excêntrico de Londres. Um poeta era anarquista e o outro ordeiro. O poeta anarquista diz:
Um anarquista é um artista. O homem que atira bombas é um artista, porque prefere um grande momento a tudo o mais. Esse homem percebe que valem muito mais detonação perfeita do que os simples corpos desarticulados de alguns esbirros. Um artista afronta todos os governos, omite todas as convenções. O poeta só está à vontade na desordem. Não fosse assim a coisa mais poética do mundo seria a estrada de ferro subterrânea... Por que é que todos os empregados e operários que tomam os trens parecem tão tristes e cansados, tão completamente tristes e cansados? Eu respondo. É porque sabem que o trem está na rota certa. [1]
O poeta ordeiro responde:
É você que é antipoético... Se tudo quanto você diz dos empregados é verdadeiro, só tenho a lamentar que eles sejam tão prosaicos com a sua poesia. O maravilhoso, o raro, está em chegar à meta. O vulgar, o insípido, está em não atingi-la. Sentimos um frêmito épico quando o homem com sua seta selvagem atinge um pássaro distante. Não é também épico quando o homem com uma locomotiva selvagem atinge uma estação distante? O caos é estúpido. No caos o trem poderia ir a qualquer parte, a Bakar Street (Londres) ou a Bagdá... O que há de poético nessa contínua revolta? Você podia dizer também que é poético padecer enjoo no mar. É um estado de revolta. Ambas, a doença e a revolta, podem ser coisas salutares em certas ocasiões desesperadas. Mas, enforquem-me, se posso ver em que são elas poéticas! A revolta, abstratamente, é... revoltante. É mero vômito! [2]
Quando li essa história fantástica da menta criativa de Chersterton, lembrei que muitos dos defensores da espiritualidade divorciada da verdade, parecem com o poeta anarquista, que em nome da beleza, da arte e do amor, defende até a experiência de trabalhar com bombas. Em nosso no amor propõem o terror. Não é isso que muito tem feito? Segundo eles, para uma nova espiritualidade, “mais humana”, é necessário inclusive revisar e descartar certas doutrinas bíblicas. Papo furado. Será que preciso descartar a doutrina da Queda para olhar os homens como a Imagem de Deus? Não, não preciso. O importante é que eu tenha a consciência que os humanos são ao mesmo tempo são pecadores e a Imago Dei.
Portanto, os verdadeiros convertidos são aqueles que equilibram amor e verdade, ortopraxia e ortodoxia. Quem ama ao próximo, primeiro ama a Deus. Quem ama a Deus, obedece a seus mandamentos. Os mandamentos só são conhecíveis pelos princípios da Palavra de Deus.
Referências Bibliográficas:
[1] CHESTERTON, Gilbert Keith. O Homem que foi quinta-feira. s/ed. São Paulo: Círculo do Livro, s/data. p 10.
[2] Idem. p 10-13.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Vamos trocar o disco?!
Sim, nas Assembleias de Deus precisamos trocar o disco. Há anos que essa denominação contaminou-se com uma tendência triunfalista em suas músicas. Existem várias exceções, com os hinos da Harpa Cristã e cantores esporádicos, mas o que reina mesmo são as músicas com temática de vitória. Eu particularmente tenho várias críticas ao pessoal dos “grupos e ministérios de adoração”, mas pelo menos as letras produzidas por esses cantores refletem uma adoração. Veja por exemplo uma letra da cantora Heloísa Rosa:
Como um vento
Tua presença leva-me aos teus pés
Como vento sopra sobre mim
Não entendo o que fazes aqui Senhor
Grande Pai, fiel amigo és tu Senhor
O teu amor Senhor vai além do céu
O teu perdão Senhor me alcançou
O teu amor Senhor vai além do céu
O teu perdão Senhor me alcançou
Cura-me, restaura-me, enche-me de Ti
Teu amor Senhor vai além do céu
Além de ser uma letra muito bonita e uma melodia suave, tal hino é adequada para o momento de adoração. Outros exemplos poderiam ser dados, tais como boas músicas do grupo Diante do Trono, Ministério Intimidade, Santa Geração etc. Sim, não me esqueço dos equívocos apresentados por muitos desses grupos, tais como um misticismo, atos proféticos e até tendências judaizantes, mas as letras e músicas, em sua maioria, estão bem melhor do que esse triunfalismo das “letras pentecostais”.
Dentro de um quadro mais equilibrado de cantores, que apresentam boas letras, cuja temática é a adoração, estão Adhemar de Campos, Asaph Borba, Daniel Souza, Gerson Ortega, João Alexandre, Massao Suguihara, Nelson Bomilcar, Stênio Marcius, Vencedores por Cristo. Pelo menos nesses citados você não verá “atos proféticos”.
Agora, o que não dá é essa tendência antropocêntrica da “música pentecostal”, cantada especialmente pelos grupos de Círculo de Oração das Assembleias de Deus e cantores especialistas em play back. Nesse momento, tenho em mãos uma pasta com “hinos” de um vocal assembleiano, as músicas selecionadas são realmente de deixar qualquer um triste. Veja os títulos de algumas: “profeta de Deus”, “Eu profetizo”, “mãos sagradas”, “orei pra ter resposta”, “terremoto santo”, “até o fim”, “braço de ferro”, “Deus está no controle”, “recompensa”, “se creres veras”, “o Senhor já me respondeu” e aí vai com quase 100% das letras voltadas para o mesmo tema: vitória.
Vejo que isso é um sério problema das Assembleias de Deus. Na última AGO (Assembleia Geral Ordinária) da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), que aconteceu em Serra (ES), a maior parte dos cantores convidados só cantou essas letras pobres, como dito acima, que só falam em vitória e triunfo. Até mesmo os vocais locais. O problema não é enxergado, simplesmente ignorado sob frases como “o culto foi uma bênção, avivado etc”.
Portanto, quando vamos trocar o disco? Caro cantor e regente assembleiano, peço que vocês abracem a essa campanha, e tire todas essas músicas triunfalistas do seu grupo musical. Troque as músicas onde o homem é o centro, para aquelas em que Deus é o centro. Veja bem a letra que você está cantando. Cante Salmos, cante boas letras. Pense no que você está cantando!
Vai aí uma sugestão:
Louvemos ao Senhor
Louvemos ao Senhor
Adoremos do seu santo monte
Nosso amado Pai, Seu nome é Santo
Louvamos ao Senhor, pois Seu nome é Santo
Louvamos ao Senhor, pois Seu nome é Santo
Magnifiquemos ao Senhor
Ao Rei que é digno de louvor
Ele é Excelso, Supremo e mui digno de louvor
Excelso, Supremo e mui digno de louvor
Hosana, Hosana,
Hosana ao Nosso Rei
Cristo é a nossa vida
O motivo do louvor
Em nosso novo coração
Pois morreu a nossa morte, para vivermos a sua vida
Nos trouxe grande salvação
Louvamos ao Senhor por Adhemar de Campos
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Abusos da liderança
“Mesmo se o pastor estiver errado, nós devemos obedecê-lo, pois a Bíblia diz que devemos honrar nossos líderes”. Eu já tive o desprazer de ouvir essa asquerosa frase. Incrivelmente há aqueles que pregam uma obediência cega aos seus pastores. Pessoas que acreditam que os seus líderes são incriticáveis, infalíveis, uma espécie de “papa evangélico” ou no evangeliquês, um “ungido do Senhor”. Pastores que estão acima das Escrituras, pois suas palavras são “inspiradas” por Deus e soam como Palavra do Senhor.
Muitos pastores carismáticos (em ambos os sentidos) usam de um poder persuasivo, com toques de emocionalismo exacerbado, para “manipular” os fiéis. Utilizando supostos “dons” do Espírito (?) para humilhar pessoas, por meio de supostas revelações e profecias e até exigir quantias de dinheiro através de “atos proféticos”. A jornalista Marília de Camargo César escreveu uma reportagem em formato de livro sobre abuso de autoridade por parte de pastores evangélicos, ela conclui:
Uma das conclusões a que cheguei foi que esse tipo de culto fortemente movido pelas emoções confere enorme poder à liderança. E o poder é uma espada que poucos manejam com graça. É fácil errar a mão. É fácil cair na tentação de manipular. [1]
Outros acreditam piamente que maldição de pastor pega. Ou seja, crentes que são ameaçados “espiritualmente” ao trocarem de congregação ou por não acatarem uma decisão do líder, pois esses pastores alertam sobre a grave ameaça de sair de sua “cobertura espiritual”. Certamente se alguém ouvir essa espécie de maldição deve sair o mais rápido possível. Eles são verdadeiros terroristas “espirituais”, uma espécie de “pastor Bin Laden”. Existiria algo mais pagão do que isso? Difícil responder.
E a bajulação?Uma verdadeira praga. Quem disse que pastores devem viver em um modo de vida irreal, com dissonância em relação as suas ovelhas? Há congregações que, tendo pobres em seu meio, pagaram viagens para Israel aos seus pastores. Tudo bem, se o pastor tiver condições de fazer essa maravilhosa viagem, que faça, mas baseadas em uma oferta de uma congregação necessitada, aí não dá. Os espertalhões logo dizem que os críticos são hipócritas e tentam escapar de suas vaidades acusando outros. A mania de grandeza de alguns afeta inclusive seu ministério da pregação (bem rentável por sinal), pois jamais transmitem a Palavra em ambientes desagradáveis. Como escreveu o pastor José Gonçalves: “As ovelhas gemem quando o pastor conhece mais a arte de tosquiar do que a de apascentar” [2].
Em muitas igrejas pentecostais e neopentecostais, com suas estruturas caudilhistas, enxergam seus líderes não como servos, mas como empresários, administradores, CEOs e até minimonarcas. Nessa condição, os mesmos ganham uma cadeira de destaque nos palanques da igreja, sendo a mais bonita das cadeiras. Aliás, qual a funcionalidade daquele palanque cheio de homens engravatados sentados? Lembro que certa vez fui a um casamento, que inclusive estava sendo filmado, e os auxiliares daquela igreja estavam todos no “púlpito”, uma coisa nada haver, um verdadeiro vício dos lugares especiais. O pior é quando acontece alguma festa na igreja, onde visitantes ficam de pé, por causa da lotação, e os diáconos, auxiliares, presbitérios etc., todos sentados naquele palanque.
Ainda há a maldita idolatria. Crentes que não acreditam em santos e imagens de escultura como seus mediadores, mas agem como se seus pastores fosse esses mediadores, por serem pessoas com uma suposta aura especial. Outros líderes encarnam essa idolatria e logo mudam sua nomenclatura para apóstolos, e logo serão conhecidos como semideus. Pessoas que atribuem a si mesmo o poder e os milagres.
Como no texto que escrevi nessa quarta-feira (veja logo abaixo), o abuso das autoridades “espirituais” se dá também por meio de legalismos infantilizantes. Aplicam regras e mais regras além das Escrituras e acabam criando um estado de forte repreensão e medo. Tal ambiente é facilitador de toda sorte de abuso. Portanto, é muito pecado sob a capa de “santidade”, só que essa santidade não é bíblica.
Muitos outros exemplos poderiam ser dados, mas também devemos dar graças a Deus pelos bons pastores, que estão longe desses modelos caudilhistas, que não valorizam o poder acima do humano. Pessoas que dedicam sua vida para o crescimento do Reino de Deus e entregam sua vida para uma linda obra pastoral. Portanto, honrai aos bons pastores, denunciai os falsos.
Referências Bibliográficas:
[1] CÉSAR, Marília de Camargo. Feridos em Nome de Deus. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2009. p 19.
[2] GONÇALVES, José. As Ovelhas também Gemem. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 67.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Infantilização do legalismo
Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. (Cl 2. 20-23)
Você acredita que tem gente sendo disciplinada (lê-se: Retirada da comunhão da igreja, além de “privação” do céu) porque simplesmente resolveu pintar uma unha ou cortar as pontas do cabelo? Você acredita que alguns pregadores fanáticos pregam que é um grave pecado assistir qualquer programa jornalístico? Você acredita que alguns condenam o uso inclusive de uma gravata vermelha? Sim, essa é a realidade de milhares de evangélicos todos os dias nesse país.
Esses líderes pensam e agem como se suas ovelhas fossem crianças medievais, das quais não viviam senão debaixo de inúmeras regras. Os legalistas produzem a infantilização do seu rebanho. Quando uma regra não é acompanhada de pesada vigilância da liderança, logo acontece a transgressão dessas normas. Por que isso acontece? Porque os princípios bíblicos não estão enraizados no coração, mas sim no raso pires do legalismo, na superficialidade de exterioridade.
Quando uma liderança acredita que seus subordinados são crianças necessitadas de regras, não demora muito para que os abusos de autoritarismo surjam. Toda igreja legalista tem líderes autoritários. Isso é uma regra, com poucas exceções. A “piedade pervertida” manifesta suas garras e seus choques de uma liderança distante do modelo “líder-servo”, exposto por Jesus Cristo, pois “qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva” (Mc 10.43).
Portanto, os “tabus comunais” onde as denominações criam milhares de regras acima das Escrituras, baseadas em suas tradições e pensamentos humanos, surgem então uma igreja doente, legalista, hipócrita, mas bem distante da santidade bíblica, que brota do interior e manifesta no exterior. Mais do que essas “listinhas de regras” necessitamos mergulhar em nossos corações os princípios bíblicos, que nortearão nossas vidas sem cabresto. Não esqueçamos que a santidade vem de Deus e começa pelo espírito, para então chegar ao corpo (I Ts 5.23). O caminho contrário é uma deturpação.
Debate Blogélico: A pregação contemporânea
O que é uma genuína pregação bíblica? Qual o papel da pregação expositiva e temática? O que caracteriza uma pregação pentecostal? Quais exemplos positivos e negativos que ouvimos diariamente nos púlpitos? Qual tipo de material o pregador deve buscar para o seu aprimoramento?
Essas e outras perguntas são respondidas em mais um debate promovido por alguns blogueiros, que inclui a mim, Gutierres Fernandes Siqueira, o João Paulo Mendes (Blog do JP) e Victor Leonardo Barbosa (Blog Geração que Lamba).
Ouça no próprio blog ou faça o seu download para escutar no seu MP3. Não se esqueça de comentar e fazer o seu feed back.
Ouça aqui
Domingo, 21 de Junho de 2009
A distorção da oração
Sempre ouvimos o verdadeiro alerta que a geração evangélica hodierna ora pouco. Isso é verdade. Agora, mas preocupante do que a quantidade de horas oradas é a qualidade dessas orações. Ou seja, além de orar pouco, a igreja evangélica ora mal. Infelizmente hoje as orações são voltadas somente para a busca desenfreada de bênçãos e mais bênçãos, sem a oportunidade de ser um caminho para a adoração e comunhão com Deus. Ou seja, só se aproximam do Senhor por interesse. Nada mais pagão e menos cristão.
O pastor Ricardo Gondim, mui acertadamente escreveu:
Considero que a oração se apequenou em nossos dias. Hoje não passa de uma técnica religiosa que faz “Deus operar”. Jesus serve de moeda de troca ou tônico que fortalece a oração, e que “move o braço de Deus”. Temo que, caso os evangélicos não recobrem o significado da graça, todo o exercício da espiritualidade se condenará à função de conseguir bênçãos. Ou Deus ama a partir de uma decisão unilateral ou ele precisa ser tratado como um ídolo, que cobra sacrifício de seus adoradores. [1]
Portanto, nossos problemas vão além daqueles alertados nos púlpitos, pois a podridão está nas bases.
Referência Bibliográfica:
[1] GONDIM, Ricardo. Direto ao Ponto: Ensaios sobre Deus e a Vida. São Paulo: Doxa Produções, 2009. p 14.
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Ajuda aos Necessitados
Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD)- I Coríntios: Os problemas da Igreja e suas soluções
Nesses tempos em que há abundância de pregadores envenenando suas congregações com o “evangelho da saúde e prosperidade”, transvertida sob a antibíblica “confissão positiva”, muitos cristãos estão desaprendendo o verdadeiro valor da oferta, que é a ajuda aos necessitados. Temos hoje uma igreja que não ensina o altruísmo, mas pelo contrário, incentiva os mais mesquinhos desejos egoístas.
O neopentecostalismo (ou pseudopentecostalismo) contemporâneo, que se move conforme o dinheiro, em muito distorceu a mensagem pentecostal. O pentecostalismo clássico baseava a oferta e doações na expansão da evangelização e ajuda aos necessitados. O pioneiro pregador da Rua Azusa, William J. Seymour certa vez escreveu:
Houve mestres que ordenaram às pessoas venderem o que tinham, e muitos tornaram-se fanáticos. Nós, todavia, deixamos o Espírito guiar os crentes e dizer-lhes o que ofertar. Quando alguém fica cheio do Espírito, a sua carteira se converte e Deus o torna mordomo. Se Deus lhe ordenar: Venda! Ele vende.
O teólogo Alessandro Rocha lembra que:
É preciso estabelecer uma diferenciação entre essa perspectiva da doação de dinheiro no pentecostalismo clássico e no neopentecostalismo. No primeiro caso, tratava-se de ofertas destinadas ao sustento da própria igreja e dos membros mais carentes; no segundo, essa prática se torna cada vez mais agressiva, e seu fim é o enriquecimento de alguns líderes e o fortalecimento de grandes corporações. [1]
Portanto, é uma verdadeira infelicidade ver pregadores ditos pentecostais aprendendo a arrecadar dinheiro com os “Edis Macedos” da vida. Estão vendendo a alma para um modelo antibíblico e desumano. É uma verdadeira distorção do pentecostalismo, do cristianismo e claro, das Sagradas Escrituras.
Dízimos e ofertas não são um meio de sustentação de grandes redes de televisão, que promovem novelas tão imundas como a concorrente global. É incrível e ridículo que alguns evangélicos achem que essas igrejas são modelos nos usos dos meios de comunicação social. Pelo contrário, hoje a evangelização nesse país é mais difícil graças ao “bom testemunho” dos bispos empresários.
Ajuda aos necessitados de Jerusalém
No último capítulo da primeira epístola de Paulo aos coríntios, ele, o apóstolo, exorta os cristãos para ajudarem seus irmãos necessitados. Os cristãos de Jerusalém viviam sob forte perseguição e então, impedidos de trabalho e cidadania, habitavam entre os miseráveis daquela cidade. A igreja-mãe sofredora precisava da urgente ajuda dos demais cristãos.
É bonito observar que Paulo pediu ajuda para os cristãos judeus a uma igreja composta em sua maioria por gentios. Barreiras étnicas caiam também com o princípio da generosidade na oferta. O Brasil, que se porta como uma nação emergente, fruto das mudanças positivas na macro-economia pelo Plano Real nesses últimos vintes anos, certamente promete um crescimento econômico mais sustentável nos próximos anos, levando essas terras tupiniquins ao quadro das nações mais desenvolvidas. Nessa condição, esse país receberá cada vez mais os imigrantes dos países vizinhos pobres e instáveis politicamente. Cabe a igreja evangélica atentar para as necessidades dos imigrantes, combatendo qualquer forma de xenofobia e sustentando aqueles que necessitam, além da apresentação do Evangelho.
Além disso, a condição deplorável de algumas regiões do país faz vergonha. Necessitados há ainda que vivem debaixo da miséria nas favelas das grandes cidades, no sertão nordestino, nas vilas da Amazônia, nas aldeias sem visibilidade da FUNAI. Entre eles, estão também milhares de cristãos, que sabem na pele a ilusão irrealista utópica do “evangelho da saúde e prosperidade”. Esse blogueiro já teve a oportunidade de visitar uma comunidade de agricultores no interior do Maranhão (o Estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano desse país), em que uma família de onze pessoas viviam com uma renda de R$ 95,00. Naquela época na havia nenhuma assistência de igrejas evangélicas naquele lugar, mas hoje, graças a Deus, existe uma congregação assembleiana que faz um trabalho social esporádico, principalmente com a distribuição de cestas básicas.
Não basta uma ação correta, é necessária uma motivação correta
Aparentar generosidade é fácil. Ofertar como forma de soberba é simples. Dizimar como barganha é descomplicado. Qual a real motivação no momento da oferta? Essa é uma pergunta crucial para o cristão, pois enquanto é possível ofertar o próprio corpo sem amor, é possível também ofertar sem amor a Deus e ao próximo. A pessoa que recebe a oferta é beneficiada, mas nunca o ofertante, que será sempre um mesquinho diante de Deus, Aquele que conhece todas as coisas.
Ofertar por obrigação é horrível. Ofertar para satisfação própria é uma distorção. Ofertar para ganhar pontos, honra e prestígio é asqueroso. O ofertante constrangido pela lei e obrigação não agradou a Deus. O ofertante que se gaba na sua auto-honra é um inútil diante do Senhor. Infelizmente são esses os tipos de relacionamento que se tem ensinado nas muitas igrejas evangélicas, que ofertam em forma de barganhar com Deus. Não ensinam um relacionamento de amigo e pai, mas sim de comerciante. Estão adorando ao deus comerciante, cuja forma de relacionamento está baseada na moeda, na troca. O Senhor livre a sua Igreja desse paganismo!
Referências Bibliográficas:
[1] ROCHA, Alessandro. Espírito Santo: Aspectos de uma Pneumatologia solidária à condição humana. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 150.

